O que faz diferença quando eu estudo programação

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Sabe, chega uma hora em nossa vida profissional que inevitavelmente você olha pra trás e tenta entender o que fez de certo e de errado durante sua trajetória. Chega uma hora que você quer entender porque não conseguiu fechar aquele negócio ou então porque foi tão fácil oferecer uma solução para determinado cliente.

Acho que cada um de vocês já deve ter passado por períodos de reflexão parecidos, ou estou errado?

No último final de semana eu estava lembrando dos principais cursos que fiz e também dos livros que li sobre desenvolvimento, e comecei a fazer uma breve comparação entre a minha trajetória de estudos com a de alunos dos quais eu havia recebido depoimentos, tanto positivos quanto negativos. Comecei a cruzar algumas informações desses depoimentos para identificar o que poderia diferenciar uma pessoa que tinha muita facilidade para aprender de outras que enfrentavam muitas dificuldades no processo de aprendizado.

Aliás, um detalhe pertinente é que as pessoas que tem dificuldade durante a formação, inevitavelmente terão mais dificuldades do que o normal na hora de usar o conhecimento para transformar tudo que foi ensinado nos treinamentos em produto para seus clientes. Essas pessoas geralmente não conseguem pensar em soluções para seus clientes.

Mas a pergunta chave é: por que essas pessoas não conseguem criar?

Cruzando as informações que eu tinha em mãos, descobri uma coisa comum entre todos os alunos que tinham dificuldade na hora de planejar e criar sistemas: nenhum deles usava o conteúdo do treinamento de forma diferente daquela apresentada durante as aulas, ou seja, nenhum desses alunos havia feito testes ou criado outro projeto diferente daquele do curso.

Na prática isso significa que o aluno não experimentou outras possibilidades que as técnicas de um curso oferecem, ou seja, ficou limitado a um número muito pequeno de opções. O aluno que não cria nada paralelo ao treinamento geralmente não presencia erros comuns durante o processo de desenvolvimento, e esses erros são fundamentais no aprendizado de todo programador.

Chegamos a uma conclusão?

Até então meu raciocínio fazia todo sentido, ao menos na minha cabeça, então era hora de confrontar essas conclusões com aquilo que havia acontecido comigo durante minha formação... a partir de então tudo passou a fazer mais sentido ainda.

Desde o primeiro livro de programação que eu li eu NUNCA repliquei o projeto proposto pelo autor de um livro ou de um curso. Eu sempre estudava o que era proposto e tentava criar exemplos e projetos totalmente diferentes daqueles que eram indicados nos treinamentos.

Eu tentava entender a lógica, a forma de pensar do autor e nunca simplesmente entender os códigos. Código qualquer um pode criar, mas o que realmente importa é a forma como esses códigos foram pensados, e o mais importante, porque eles estão ali.

Mesmo sem perceber eu havia criado uma técnica de estudo infalível e que me traria uma facilidade enorme no processo de aprendizado de linguagens de programação. Técnica essa que também havia sido aplicada por todos os alunos que me enviaram depoimentos relatando experiência positivas com meus cursos, ou seja, eles não criaram o projeto proposto por mim, mas sim um projeto personalizado usando as técnicas ensinadas nas aulas.

Então meu jovem aprendiz, se você quer aprender desenvolvimento, seja web ou desktop, faça cursos, leia livros, mas não replique os projetos propostos pelos autores. Tente aprender a técnica e a lógica e crie um projeto paralelo para aplicar o conhecimento recebido.

Foi isso que fez diferença pra mim, foi isso que fez diferença para vários alunos meus, e eu tenho total convicção que é isso que vai fazer a diferença pra você também.

Curiosidade

O primeiro livro de programação que eu li era sobre ASP e ensinava a criar um pequeno sistema de ecommerce usando ASP e banco de dados Access. Como você acabou de ler nesse artigo, eu não fiz o projeto da loja virtual, na verdade esse livro deu origem a primeira versão do RBtech lá em 2008.

Sim, a primeira versão do RBtech era feita em ASP e tinha um painel simples que servia apenas para publicação de matérias no site. Não tinha editor de HTML para os artigos e tudo tinha que ser feito na mão mesmo. Essa versão foi usada por aproximadamente um ano até que eu conheci o PHP e refiz todo sistema usando essa linguagem.

Sobre o autor

Ricardo Bernardi

Sou técnico em hardware e desenvolvedor web, e sobre estes dois assuntos comecei a compartilhar aulas e artigos, tornando-me blogueiro em 2008. Em 2010 esse hobby virou profissão, e desde então tenho buscado melhorar e profissionalizar cada vez mais os projetos que mantenho na web.

Comentários

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  • Mário Fernando comentou em

    Muito bom o conteúdo do post. CONCORDO PLENAMENTE!!!
    Eu mesmo havia percebido isso. Ficava pensando comigo "Como eu vou aprender se eu apenas replicar o código e o raciocínio do curso ou do livro?". Pensando nisso, comecei a investigar mais sobre o meu aprendizado, minha absorção de ensino e cheguei a uma simples conclusão:
    Aprender qualquer linguagem de programação será necessário duas coisas específicas.
    1) Tentar memorizar e entender ao máximo as sintaxes de comando (Testar em que circunstâncias a sintaxe funciona).
    2) Ter muito, muito, muito raciocínio lógico.
    Abraços,
    Mário Fernando

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  • canelson comentou em

    Caracas! é eu mesmo eu estudo a mais de 3 anos e nunca consegui, já pensei em desistir mas, sempre tento comprando cursos de outras pessoas. A minha maior dificuldade é MVC com OO, kkkk me dá um nó no juizo, atualmente eu me dedico em designer responsivo, que na verdade não tenho como pagar um curso ai eu pesquiso pra caramba no youtube. Eu acho o Ricardo incrivel , mas assim como ele a maioria dos cursos não tem uma continuidade, ai eu fico puto da vida, são bem poucos os cursos que ensinam com seguimento, tipo pô ensina teoria e depois vai fazer um sistema completo o cara vive disso então faz o negócio completo!

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  • Bruno Mota comentou em

    Muito bom, bem no meu caso. Eu recrio o que o autor faz, e depois tento compreender melhor. E faço alguns projetos daquilo que aprendi, só que aplicando de modo diferente.

    Ás vezes fico tentando mudar o caminho, usar outro jeito para fazer determinada coisa. Só para ver se iria dar certo e entender melhor como funciona.

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